quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Superliga Russa - Renovação motivada pelos Rublos
Depois do reconhecimento mundial que a Liga ACB de Espanha vem tendo nos últimos anos, tendo mesmo sido considerada a melhor liga europeia e a segunda melhor liga do mundo, eis que surge da Rússia uma concorrente à altura: a renovada Superliga Russa.
Atraídos pelos Rublos, a próxima edição contará com nomes sonantes vindos da NBA, da ACB e da poderosa selecção da Lituânia. Coloca-se então a seguinte questão: conseguirão outros clubes fazer frente à hegemonia do CSKA de Moscovo? Passemos à análise dos dois principais candidatos ao título da, provavelmente, melhor edição de sempre desta liga da terra dos czares.
CSKA Moscovo: Liderados pelo experiente e consagrado Ettore Messina, o clube da capital russa mantém uma estrutura muito sólida e com garantias para continuar a ser o principal candidato ao título. De forma a suprimir as lacunas deixadas pela saída de dois importantes atletas, Papaloukas e Andersen, Messina contará com três reforços sonantes. São estes Zoran Planinic, campeão da passada edição da ACB ao serviço do TAU e com passagem pelos New Jersey Nets da NBA, Terrence Morris que foi a principal sensação da Euroleague (uma espécie de Champions League do basquetebol) e o esloveno Erazem Lorbek, vindo do Lottomatica Roma e considerado um melhores extremos-poste da Euroleague. Mantêm-se no clube jogadores como JR Holden (base titular da Selecção Russa), Trajan Langdon, Ramonas Siskauskas e Savrasenko. Nikos Zizis, base grego de 25 anos, e Viktor Khryapa, que já actuou na NBA ao serviço dos New Jersey Nets e Chicago Bulls, são dois importantes valores de futuro que continuarão a evoluir na equipa.
BC Khimki: Este clube, também de Moscovo, perfila-se como o grande rival do CSKA à conquista do título de campeão. Depois de ter levado uma forte injecção de Rublos, a equipa do treinador Lituano Kestutis Kemzura foi a mais gastadora deste defeso em toda a Europa. Contratou o astro argentino Carlos Delfino aos Detroit Pistons, e Jorge Garbajosa, um dos pilares da campeã mundial Espanha, aos Toronto Raptors. Estas duas super-estrelas ex-NBA contarão com um salário muito chorudo, sendo que Carlos Delfino assinou mesmo o maior contrato de sempre da história do basquetebol europeu. A estes junta-se ainda Milt Palacio que actuou nos Vancouver Grizzlies, Boston Celtics, Phoenix Suns, Cleveland Cavaliers, Toronto Raptors, Utah Jazz e KK Partizan Belgrade da Sérvia. O francês Jérôme Moïso, experiente poste de 30 anos com passagem pelos Boston Celtics, Charlotte Hornets/New Orleans Hornets, Toronto Raptors, New Jersey Nets e Cleveland Cavaliers, assinou igualmente contrato com o este renovado clube da capital. Estes super-reforços juntam-se a um conjunto de experientes jogadores que na época transacta conquistou a Taça da Rússia frente ao CSKA de Moscovo. O BC Khimki é apontado como o principal candidato à conquista da Eurocup (competição equivalente à Taça UEFA do futebol).
Capazes de lutar pelos lugares cimeiros da Superliga Russa, estão ainda clubes como o Dínamo de Moscovo, o Triumph Lybertsy (que esta época assinou contrato com o sérvio Nenad Krstić, ex-New Jersey Nets) e o Unics Kazan. Desta forma, podemos certamente esperar uma Superliga Russa muito interessante do ponto de vista competitivo, e com equipas que darão que falar nas principais competições europeias, a Euroleague e a Eurocup. É uma revolução, tão necessária na modalidade e que certamente irá aumentar os níveis de competitividade das melhores ligas europeias. Estaremos atentos!
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domingo, 4 de maio de 2008
Uma Liga Profissional… Com Final à Vista
Após um defeso muito atribulado no basquetebol português, a actual Liga Profissional esteve com os dias contados. No entanto, com a pressão exercida pelos dirigentes dos principais clubes (Ovarense e FC Porto) e com a inclusão do estreante Vagos, foi possível tentar reabilitar esta competição. Hoje, as principais figuras da modalidade e dirigentes da Federação reconhecem unanimemente que, para bem do basquetebol nacional, esta liga terá provavelmente que deixar de ser… profissional. Voltamos portanto à questão lançada no último defeso: estamos perante o inevitável fim da Liga LCB, tal como a conhecemos.
Muitas foram as vozes que se levantaram no final da última época contra a continuidade desta liga, nomeadamente após as desistências dos históricos Benfica e Queluz. Pretendiam uma outra competição, que desse nova vida à modalidade e ao mesmo tempo atraísse mais público e praticantes. Queriam uma competição à imagem da liga nos seus tempos áureos. Porém, e após uma célebre reunião numa tarde quente de Verão, foi encontrada a solução: a inclusão do Vagos como 8ª equipa, o que viria a viabilizar a realização da competição. Assim reunidas as condições, foi idealizado um novo modelo de disputa da fase regular: a três voltas e com jornadas concentradas em campo neutro.
Todas estas medidas se viriam a revelar insuficientes e infelizes para a realização de um campeonato qualitativamente bom e mediático. Os pavilhões iam ficando cada vez mais vazios e o interesse pelo principal escalão do nosso basquetebol ia decaindo. Ao invés, a Proliga começava a conquistar
adeptos, a levar público aos pavilhões e a ter direito (pela primeira vez) a transmissões televisivas. Esta competição de segundo plano surgia assim como a liga que se pretendia construir, bem à imagem da Liga LCB nos seus melhores dias. Não obstante, a bomba rebentou no passado dia 06 de Abril quando o Vitória de Guimarães, candidato a bicampeão da Proliga, levou de vencida a Final 8 da Taça de Portugal realizada em Elvas, conquistando categoricamente o troféu numa final frente ao FC Porto e após ter eliminado nas meias-finais a bicampeã nacional Ovarense. Um dos conjuntos mais fortes a militar no segundo escalão, venceu assim os dois principais candidatos ao título de campeão nacional, evidenciando as carências competitivas de que a nossa principal liga padece. Se muitos não acreditavam ainda no descrédito da Liga LCB, talvez tenham nesse fim-de-semana desfeito todas as dúvidas.
Nos últimos dias, dirigentes de diversos clubes da Liga LCB e da Proliga têm vindo a reunir-se com o intuito de encontrar soluções para o futuro da principal competição do basquetebol nacional e inevitavelmente para o futuro da modalidade no nosso país. Muito provavelmente será abandonado o modelo profissional, passando a liga a ser de cariz semi-profissional à imagem do que se passa na Proliga. Fernando Assunção, director do FC Porto, já veio a público criticar tal medida, ameaçando mesmo acabar com o basquetebol no clube caso a mesma se concretize. No entanto, todos os outros reconhecem que esta medida será benéfica. Será como dar um passo atrás para posteriormente
se dar dois passos em frente.
PS: Os meus sinceros parabéns a toda a secção de basquetebol do Vitória de Guimarães.
Publicada por Bruno Quintela à(s) 22:00 0 comentários
Etiquetas: LCB
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
O Adeus de Magalhães
O “Papa-Títulos”. Assim ficou conhecido Luís Magalhães, treinador que na passada semana rescindiu contrato com a Ovarense Aerosoles para rumar ao 1.º Agosto de Angola. De Portugal leva um total de 21 títulos conquistados, ao serviço da Ovarense, Portugal Telecom e F.C. Porto: 4 Ligas Profissionais, 6 Taças de Portugal, 6 Supertaças, 2 Torneios dos Campeões e 3 Taças da Liga Portuguesa. É o treinador com maior e melhor currículo em Portugal, seguramente.
Surpreendente. É o que se pode concluir da decisão de Luís Magalhães ao abandonar o comando técnico da equipa profissional Ovarense Aerosoles, equipa bicampeã nacional. Magalhães deixa assim aquele que é o melhor projecto do basquetebol nacional, considerando-se desmotivado pelo momento menos bom que o nosso basket atravessa.
É um facto que a Ovarense Aerosoles lidera a Liga LCB com 8 expressivas vitórias e apenas uma derrota, curiosamente contra o Lusitânia dos Açores, equipa que teima fazer a vida negra ao bicampeão nacional. No entanto, na ULEB Cup (competição europeia que a Ovarense Aerosoles disputa) a equipa conta com derrotas em todos os jogos disputados até ao momento, tornando evidente a diferença qualitativa entre a principal liga portuguesa e as restantes ligas europeias.
Agastado com a falta de condições para que a equipa possa competir dignamente numa competição europeia, nomeadamente a inoperabilidade da direcção vareira para tentar colmatar a falta de Ben Reed por lesão e a ausência de sistema de aquecimento no novo pavilhão de Ovar (com os jogadores a treinarem sob temperaturas de 0º C, digno de um país terceiro-mundista), eis que o “Papa-Títulos” decide rumar à conceituada equipa angolana do 1.º de Agosto onde militam os portugueses Francisco Jordão e Rodrigo Mascarenhas.
Diz-se que Magalhães teria já formalizado um pré-acordo com o clube de angolano no final da última temporada, para que rumasse ao 1.º Agosto assim que cessasse o seu contrato com a Ovarense Aerosoles. No entanto, o treinador português decidiu antecipar a sua viagem para Angola, surpreendendo muita gente mas não aqueles que mais atentamente acompanham a Liga LCB, cujo actual formato necessita claramente de uma reformulação.
Luís Magalhães vai assim cumprir uma promessa que terá feito ao seu amigo Jean-Jacques da Conceição, a maior referência do basquetebol angolano, quando este veio ajudar a Portugal Telecom a conquistar mais um campeonato da Liga.
Para os lados de Ovar há quem anseie pelo regresso do treinador espanhol Pep Claros, ex-CAB Madeira, ou pelo ingresso do compatriota Manuel Povea, actual treinador do Lusitânia dos Açores. Outros apontam o nome do consagrado Mário Palma.
Resta-nos desejar a melhor sorte ao treinador português na sua nova missão e esperar que esta atitude ajude os responsáveis do nosso basquetebol a repensarem um novo formato e conjunto de regras para a principal liga, que vão de encontro com a realidade económica dos clubes portugueses e com a realidade sócio-económica do país.
Aos leitores: votos de um Feliz 2008!
Publicada por Bruno Quintela à(s) 16:00 0 comentários
Etiquetas: 1º Agosto, Luís Magalhães
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
A Nova Face da “Proliga”
Depois de um atribulado defeso no basquetebol português, os históricos Benfica e Queluz apostaram numa participação na actual edição da Proliga, em detrimento da Liga LCB. Com esta tomada de decisão de pulso firme, eis que Vitória de Guimarães (campeão da Proliga na edição 2006/2007) e Sampaense (finalista vencido), abdicam do direito desportivo de participar na Liga LCB, vendo com bons olhos continuar a disputar a Proliga. Consequentemente, os restantes clubes desta 2ª liga viram-se obrigados a aumentar o investimento nos seus plantéis, no sentido de reforçarem qualitativamente os mesmos.
Eis que a Proliga surge então com uma nova face, mais competitiva e de maior qualidade, marcando assim um passo determinante e deixando, de forma definitiva, de ser uma 2ª divisão sem destaque. Este fim-de-semana tivemos a oportunidade de assistir a um interessante jogo da fase regular da Proliga, bem disputado e pela primeira vez com direito a transmissão no principal canal da Sport Tv. De um lado, o Física de Torres Vedras, do outro, o Benfica. Com o pavilhão gimnodesportivo da Física completamente lotado, as duas equipas registaram um jogo extremamente interessante, principalmente no sentido da propaganda da Proliga.
O Benfica apresentou-se na máxima força e com uma agradável surpresa: Michael Gomez. Este norte-americano de 26 anos, curiosamente dispensado pelo Vitória de Guimarães em Outubro, protagonizou uma excelente exibição totalizando 5 triplos num total de 7 tentativas e amealhando 22 pontos para a sua conta pessoal. Do lado do Física de Torres Vedras, realce para o “guerreiro” Ekjersey Viana com 23 pontos anotados, tendo sido o MVP da partida, e para Amadeu Cordeiro com 18 pontos e uma irrepreensível atitude defensiva. O jogo terminou com a vitória do Benfica e um avultado resultado de 83-95, tendo sido determinante o 2º período com um parcial de 6-24! Interessante foi também o esperado “duelo” entre os bases Miguel Barroca (Física) e Miguel Minhava (Benfica), dois dos mais brilhantes da competição. Miguel Barroca levava, até à data do jogo, 142 pontos marcados e 28 assistências. O internacional Minhava somava 122 pontos e 49 assistências.
Vemos assim a Proliga a crescer e a ter o seu merecido destaque. Para engrandecimento do basquetebol nacional, espera-se que outros embates deste calibre sejam televisionados. Há, de facto, bons valores a actuar nesta nossa 2ª liga e a merecerem o seu lugar na caixinha mágica.
Publicada por Bruno Quintela à(s) 22:00 0 comentários
Etiquetas: Proliga
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Show Men - De Dale Dover a Cordell Henry
No início da década de 70 chegava a Portugal o tão esperado primeiro norte-americano a competir no nosso campeonato nacional de basquetebol: Dale Dover. Este jogador vinha catalogado como um dos mais importantes da Universidade de Harvard e é ainda hoje a maior lenda do basquetebol do FC Porto.
Diz-se que terá sido contratado, não para a equipa portista, mas sim para a Associação Desportiva do Banco Pinto de Magalhães. No entanto, Afonso Pinto de Magalhães (na altura também presidente do FC Porto) ter-se-á apercebido que o mágico Dover merecia um palco de maior projecção e de imediato o “resgatou” para a equipa das Antas. O norte-americano tornou-se então no jogador-treinador da equipa e na época 1971/72 levou o basquetebol do clube à conquista do Campeonato Nacional de Basquetebol, 19 anos depois! O “base” Dover constituía a principal atracção do basquetebol nacional e nas tardes de domingo juntava famílias nos pavilhões para assistir a importantes desafios.
Nos últimos anos, o basquetebol português teve o privilégio de ver jogar outros “bases” norte-americanos, autênticos “show man” cujo espectáculo faz transbordar os pavilhões de alegria. Recordo-me de nomes como Dennis Woolfolk, Rasul Salahuddin, Herman Alston, Justin Bailey e mais recentemente Cordell Henry.
Dennis Woolfolk jogou vários anos no nosso país, em clubes como o Leça FC e o Basquete de Guimarães, tendo aos 37 anos ingressado na A2 alemã pela mão do Ulm. Em miúdo aguardava sempre com grande entusiasmo uma oportunidade de o ver jogar no pavilhão do FC Gaia. Rasul Salahuddin foi um dos jogadores mais empolgantes que alguma vez pisou os pavilhões nacionais. Contratado pela já extinta Portugal Telecom e pelo seu treinador Carlos Barroca, Rasul foi talvez o jogador da era pós-Carlos Lisboa que mais marcou a nossa Liga. Um base atleticamente irrepreensível, dotado de uma técnica de drible soberba. No primeiro ano que competiu em Portugal fez questão de ganhar o concurso de afundanços do All-Star e de obter as impressionantes médias de 23.1 pontos e 8.3 assistências por jogo. Nos últimos anos tem actuado nas ligas secundárias dos Estados Unidos, como a ABA ou a EBC. Herman Alston passou primeiro pela Ovarense e mais tarde pelo Aveiro Basket. Era um jogador irrequieto e que transmitia uma contagiante alegria ao jogo. Destacava-se por ser muito rápido e forte nos movimentos 1×1, mas também por
ser um excelente defensor.
Mais tarde chegou ao Belenenses Justin Bailey, pela mão do treinador Mário Silva, que ainda hoje no seu “Hall of Fame” o recorda como um dos melhores jogadores que alguma vez teve oportunidade de treinar. No seu jogo de estreia em Portugal, frente à campeã nacional Ovarense, deixou toda a gente boquiaberta ao concretizar “apenas” 54 pontos!
Actualmente, temos a oportunidade de ver jogar nos nossos pavilhões um outro “show man”: Cordell Henry. O pequeno base da Ovarense revelou-se na última época como uma das principais pedras do conjunto de Ovar, bem apoiado pelos seus compatriotas Ben Reed e Gregory Stempin. É um base com uma velocidade de execução rapidíssima, deixando os adversários verdadeiramente pregados ao chão após os seus dribles. É igualmente um exímio lançador de 3 pontos e o principal motor do ataque vareiro. Apesar de saber ser difícil conseguir manter um jogador deste nível a actuar no nosso campeonato, espero ter a oportunidade de o ver encher os nossos pavilhões ainda por muitos anos.
Que outros “show-man” venham abrilhantar o nosso basquetebol!
Publicada por Bruno Quintela à(s) 22:00 0 comentários
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